Apresentação de avaliação final do processo de construção e elaboração do portfólio

 

O processo de construção do blog, como uma ferramenta de avaliação sobre a disciplina de TAELP, a princípio foi um pouco tumultuado, porém a medida que as aulas iam sendo ministradas, juntamente com as orientações do professor, fui entendendo do que se tratava, talvez precise de um pouco mais de tempo para que as postagens no blog flue de forma que não pareça uma obrigação, mas um prazer em dividir o nosso conhecimento com outras pessoas. Quanto aos textos já mencionei na síntese conclusiva, que foi crescente nossa aprendizagem sobre a escrita e o ato de ler das crianças, ainda não alfabetizadas,  e sua forma peculiar de interpretar a escrita elaborando hípóteses, nos fazendo compreender que há produção de conhecimento antes do início escolar. Mesmo não dominando todas as ferramentas  que constitui o blog, sei que é possível, mas sei que o processo não se dá de forma linear, é preciso levar em conta que o aprendizado não se constrói  da mesma forma para todos, portanto as ferramentas como vídeo, imagem,e um quadro ao lado, este não consegui aprender de forma nenhuma, por isso, não pude colocar os descritores gerais e o descritor específico no blog,  mas como disse em minha carta de apresentação, não fujo aos desafios. Quanto relacionar teoria e prática, a medida que eu me apropriava dos conteúdos textuais e crescia o meu entendimento, o que pude observar foi  uma distância muito grande das práticas ainda realizadas por professores ,um pouco desavisados que o processo ensino-aprendizagem se dá bem antes do início escolar. Ignorando todas as outras possibilidades possíveis de ensino, na alfabetização, o professor se detém apenas ao livro didático, o que para mim, agora que tive contato com teorias maravilhosas, sobre o que realmente significa a teoria construtivista e socio-construtivista,  é uma limitação muito grande de entender o processo peculiar das crianças desenvolverem o seu modo interpretativo da escrita e consequentemente leitura.O blog em si , para mim, foi uma ferramenta, como poderia ser qualquer outra mas, o mais legal foi saber que existe várias formas de se avaliar um aluno, só que, acho que deveria ter sido  de forma mais democrática. Ao invés de ver no decorrer da construção do blog alunos desistinto, o mais legal seria vermos alunos, que tiveram a opção de escolher uma outra forma de avaliação, mesmo que tradicional, migrar para o blog e não sair dele. Entendo que  a construção do conhecimento deve ser contextualizada e aproximada de sua vivência .

 

Síntese conclusiva

  

A leitura que nós fizemos durante o curso, através dos textos trabalhados em sala de aula, foi crescendo em suas informações em relação ao processo de aprendizagem e  ao entendimento da leitura e da escrita na construção infantil de crianças ainda não alfabetizadas.

O texto Oralidade e escrita , deixou bem especificado sobre a estrutura dos discursos da oralidade em relação ao discurso escrito. As autoras do texto a princípio, destacam o ensino da fala e sua importância, e de que forma se dá a organização da fala e da escrita.

Num crescente processo de construção e desenvolvimento da escrita e da leitura pela criança ainda não alfabetizada, duas teorias vieram consubstanciar esse entendimento. O texto três trouxe uma abordagem sobre a importância que é o professor estar atento ao amplo leque de informações que as crianças estão em permanente contato em seu meio socializador. As teorias construtivistas e socioconstrutivista  trazem a importância da contextualização nas práticas de ensino das séries iniciais:

 

Ambas orientações defendem que o ambiente em que a criança está inserida contribui para que ela desenvolva sua própria visão do que é a escrita, e o seu modo de interpretação do sistema gráfico no ato de leitura. Considerando o ambiente familiar e a diversidade de material impresso, que a criança toma contato muito antes de entrar na escola, assim como, observando as atividades de escrever e de ler por parte dos adultos, situação considerável de se levar em conta pelos professores, consiste num  redirecionamento  do processo inicial de alfabetização e de suas práticas pedagógicas.

 

Mais adiante, veremos como é importante  que professores e professoras necessitam reconceitualizar sua práticas, levando em consideração que o momento da alfabetização se coaduana com a formação da identidade sócia da criança, e que não devem se restringir a um simples conceito da rígida gramática. O texto – OS PROBLEMAS COGNITIVOS ENVOLVIDOS NA CONSTRUÇÃO DA REPRESENTAÇÃO ESCRITA DA LINGUAGEM vai  nos tornar esse processo de apropriação da escrita e do ato de ler,trazendo todos os momentos desse  aprendizado próprio da criança não alfabetizada.

 

 O texto vai abordar a questão de como o conhecimento se processa, sua organização, em estado de menor conhecimento a um estado de maior conhecimento. Para entender os processos de passagem de um modo de organização conceitual a outro ou seja explicar a construção do conhecimento,

 

No desenvolvimento da leitura e escrita, considerado como um processo cognitivo, há uma construção efetiva de princípios organizadores que são contrários ao ensino escolar sistemático. São eles: Hipótese da quantidade mínima, Relação entre o todo e as partes que o constituem, Tematização, Correspondência um a um, Valor Posicional da letra e Interpretação da escrita.

 

O ultimo texto vai corroborar todas as teorias, explicando o processo de construção do aprendizado da escrita pela criança pré alfabetizada, demonstrando através de experiência com crianças de 5 e 6 anos, que através de hipóteses elas resolvem seus conflitos, quando confrontam sua escrita com a escrita de um adulto. Nesse texto está bem presente a teoria construtivista e a socioconstrutivista, assim como a sociolingüística.

 

texto 6

A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE A ESCRITA

Ana Teberosky

Tópico Frasal

A escrita sob o ponto de vista da criança que aprende a ler e escrever, sua forma de assimilação das informações e de que forma ela adquire conhecimentos sobre o texto, ou melhor, de que maneira a criança constrói o seu conhecimento no campo da linguagem e escrita. A análise consiste em observar o princípio de organização do material gráfico, sempre observando os princípios organizadores, o princípio da quantidade mínima de caracteres, e o princípío de variedade interna, a função dos nomes e de que forma a criança desenvolve a escrita do seu próprio nome.

Conceito.

O texto vai mostrar, a partir da perspectiva construtivista, de que forma as crianças vão utilizando várias hipóteses no processo de construção da escrita. As hipóteses vão surgindo a fim de solucionar os conflitos gerados entre a escrita e a leitura, no processo de alfabetização inicial.

análise da construção da escrita do próprio nome

As análises foram feitas a partir da experiência de uma menina de cinco anos que ao escrever seu nome, experimenta várias hipóteses de escrita, confrontadas pela professora, que vai gerar alguns conflitos com o seu modo de escrever o próprio nome. Diante de sua construção e fazendo relação à escrita sistematizada de um adulto, a menina constrói e desconstrói hipóteses e segue o processo em etapas:

A menina, primeiramente escreve o seu nome utilizando uma segmentação silábica(para cada letra uma sílaba), e escreve da direita para a esquerda. Após três meses a criança já escreve da esquerda para a direita, e novos conflitos são gerados, e a criança experimenta novas hipóteses de escrita a fim de satisfazer sua interpretação da leitura.

"1- A criança constrói hipóteses, resolve problemas e elabora conceituações sobre o escrito.

2- Essas hipóteses se desenvolvem quando a criança interage com o material escrito e com leitores e escritores que dão informações e interpretam esse material escrito.

3- As hipóteses que as crianças desenvolvem constituem respostas a verdadeiros problemas conceituais, semelhantes aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita(e não apenas problemas infantis, no sentido de respostas idiossincráticas ou de erros conceituais dignos de serem corrigidos para dar lugar à aprendizagem normativa)

4- O desenvolvimento de hipóteses ocorre por reconstruções(em outro nível) de conhecimentos anteriores, dando lugar a novas construções (assim acontece, por exemplo, com o conhecimento sobre as palavras, as expressões da linguagem, a forma e o significado do signo)."

"Serve para ler"

Após  diferenciar desenho de escrita, a criança elabora hipóteses sobre a escrita:

- Fazem agrupamentos, combinações entre as letras e sua distribuição, elaborando assim o que nesse momento ela entende como o texto que "serve para ler";

- Essas combinações das letras, são as formas de organização dos elementos gráficos- que vão sustentar uma uma nova hipótese elaborada  pela criança: A distinção entre o desenho e a escrita. Ao distinguir quais são os elementos gráfico que "servem para ler", a criança precisa de uma nova hipótese: O da organização dessas letras sobre o campo gráfico.

"as crianças distiguem entre textos que têm poucas letras e textos que são para ler (devem ter, no mínimo, três ou quatro caracteres). Também rejeitam textos com letras repetidas porque são todas iguais . Por outro lado, várias letras diferentes, combinadas com pelo menos uma certa alternância, são consideradas para ler."

Essa forma de organização do material gráfico, é a forma que a criança interpreta a escrita, ou melhor o que "serve para ler".

 Analisando  esse processo, vou dar uma viajada na evolução sobre o surgimento da escrita:

A escrita não surge, de repente, do nada. Ela é o resultado do conhecimento acumulado ao longo de milhares de anos pelas sociedades sendo exercitada através de desenhos e sinais gravados ou pintados nas pedras. Estes símbolos, porém, ainda não se constituíam em um sistema de escrita. O que se sabe, hoje, é que entre os Sumérios a escrita vai surgir a partir da necessidade de se registrar os bens materiais e as transações comerciais dos templos administrados pelos sacerdotes. A escrita era essencial para a contabilidade do templo. Deveriam ser registrados, por exemplo, quantas ovelhas foram fornecidas a um pastor ou quantos jarros de sementes haviam sido entregues. Esta contabilidade era feita em tabuinhas de argila onde eram traçados caracteres (figuras ou sinais como um jarro, uma cabeça de touro, triângulos) e números.

No início, o desenho de um jarro significava um jarro, porém, estas figuras (ou pictogramas) vão sofrendo alterações ao longo do tempo e se transformam. Os sinais vão sendo simplificados e abreviados e já não podem mais ser reconhecidos como a imagem de um objeto específico. A figura que representa um jarro, por exemplo, já não tem mais semelhança com o desenho de um jarro. Os sinais vão adquirindo significados mais amplos, transformando-se em ideogramas e sendo usados para representar sons (fonogramas), idéias e coisas. 
A escrita deixa de ser apenas uma convenção restrita a um grupo de sacerdotes ela tem que ser ensinada e aprendida, tornando-se um sistema aceito pela sociedade sumeriana como um todo. Surgem então pessoas que têm como função, fazer esse trabalho de anotação e que têm que conhecer o sistema de escrita, são conhecidos como escribas.
 

Hipótese do nome

 Como já mencionei a análise do desenvolvimento da escrita de uma criança que aprende a ler, segue por princípios de organização através de hipóteses que são elaboradas a fim de compreender as regras de composição  e de distribuição gráficas das letras nos nomes.Quando a criança compreende e diferencia os elementos gráficos de um texto escrito para um desenho, é possível que essa criança reconheça que o material gráfico de um texto está ali para dizer alguma coisa, porém, ainda não construíram hipóteses sobre os tipos gráficos que representa a escrita, ou seja para ela o texto está ali para dizer o que é um objeto.

 

“De acordo com as hipóteses infantis iniciais, a escrita representa os nomes dos objetos e das pessoas. Trata-se de uma escrita de nomes ...Se perguntarmos às crianças .onde há algo para ler, elas geralmente apontarão ao desenho,respondendo um cavalo ...Porém, ao responderem à pergunta o que diz aqui eliminam o artigo que acompanha o nome e apontam para a palavra, respondendo cavalo” 

“ O dizer e o querer dizer” 

Para crianças pré-alfabetizadas o texto literal serão idênticos mesmo que estejam representados por elementos gráficos diferentes. Portanto  as crianças que ainda não incorporaram os elementos gramaticais a sua escrita, permanecem fazendo a interpretação do que elas lêem, visando o sentido(campo semântico). Mesmo o texto fazendo o mesmo sentido, graficamente  está escrito de forma diferenciada, para as crianças nessa fase a escrita é a mesma , pois o sentido é o mesmo.

 Os segmentos silábicos e os valores da escrita

 Para uma criança ainda não alfabetizada, a organização da escrita se dá pela forma de segmentação silábica – dentro dessas sílabas, o valor  sonoro é marcado pelas vogais, assim elas dão preferência, ao escrever, ao som das vogais. Posteriormente elas darão lugar a uma escrita silábico-alfabética, ao compreender  que a sílaba é formada por uma outra letra (consoante), percorrendo entre as hipóteses, construindo e desconstruindo novas hipóteses, até alcançar a escrita silábica que ocorrerá entre 4 e 5 anos. Nesse momento, já terão condiçõesd de escrever um texto.

 

OS PROBLEMAS COGNITIVOS ENVOLVIDOS NA CONSTRUÇÃO DA REPRESENTAÇÃO ESCRITA DA LINGUAGEM

 

Emília Ferreiro 

 

O texto vai abordar a questão de como o conhecimento se processa, sua organização, em estado de menor conhecimento a um estado de maior conhecimento. Para entender os processos de passagem de um modo de organização conceitual a outro ou seja explicar a construção do conhecimento, Emília ferreiro, busca sua inspiração em Piaget. 

Quando se pensava que para uma criança ler era preciso que esta estivesse alfabetizada, ignorava-se todos os modos de organização que sucedem a ordem alfabética. O texto vai trazer os níveis anteriores em que uma criança antes de ser alfabetizada já se apropria para dar significado a sua escrita e leitura, chamados de pré-alfabéticos, que consistem os níveis pré-silábicos, silábico-alfabéticos e alfabéticos.

 

No desenvolvimento da leitura e escrita, considerado como um processo cognitivo, há uma construção efetiva de princípios organizadores que são contrários ao ensino escolar sistemático.  São eles:

 

Hipótese da quantidade mínima

 

 O Conceito de “hipótese da quantidade mínima” se explica pelo fato de que a criança, para entender a escrita como algo legível,  tem que  ter no mínimo duas letras, ou seja, uma letra sozinha não representa uma escrita que se possa ler. É importante observar que o princípio da hipótese mínima fica evidente ,também,  quando ao escrever um nome no plural, a criança repete o mesmo conjunto de palavras tantas vezes, quanto for o número de objetos a ser representado.

 

Relação entre o todo e as partes que o constituem

 

Temos também a relação da parte e o todo, que aparecem num determinado momento do desenvolvimento:

Na interpretação da escrita pela criança não alfabetizada, os elementos gráficos que ela utiliza para representar a parte, são os mesmos elementos gráficos utilizados para representar “o todo legível”, sem esquecer o princípio da hipótese da quantidade mínima.

 

As propriedades atribuídas ao todo não diferem das propriedades atribuídas às partes.”

 

 Somente mais tarde as crianças começam a controlar sistematicamente as variações na quantidade de grafias.

 

Tematização

 

Outro conceito que o texto vai tratar é a tematização,  que se caracteriza  em etapas do desenvolvimento do conhecimento, organizado em  níveis de tomada de consciência do processo. Na medida em que a criança vence uma etapa, ela passa a desenvolver o seu aprendizado numa etapa mais complexa.

 

Um exemplo prático observado em minha casa talvez possa explicar melhor: Cauã de 3 anos , vai tematizando o seu aprendizado, a cada dia. Observando alguém mexer num armário mais alto, em que ele por seu tamanho pequeno não consegue  alcançar, solicitava sempre que o adulto pegasse o que lhe interessava. Um dia  pegou uma cadeira e alcançou o armário. Isso é uma forma de tematizar o aprendizado.

 

A importância da reflexão sobre a tematização do conhecimento, é justamente compreender que o aprendizado não se dá de forma direta, primeiramente a criança faz tentativas sobre seu aprendizado, as chamadas hipótese, provocando sua desiquilibração até atingir a sua acomodação.

 

Correspondência um a um

 

O desenvolvimento do aprendizado sobre a escrita, primeiramente obedece a níveis de organização que a criança se utiliza de  hipóteses para ter o entendimento de que ela necessita. Pois bem, a correspondência um a um é mais uma hipótese que aparece num determinado momento desse processo.

 

Em sua busca pelo entendimento da escrita em relação a fala , a criança começa  a fazer correspondências de que uma parte de um texto escrito pode representar um texto falado. Diferentemente das relações entre a parte e o todo, agora a criança faz uma relação entre duas totalidades diferentes: uma parte do texto escrito corresponde a uma parte do texto falado, chegando assim a um nível mais adiantado (tematiza o aprendizado), a “hipótese silábica”. Nesse nível de hipótese silábica em que a correspondência se faz um a um , a escrita passa a ter uma funcionalidade.

 

Valor posicional da letra

 

Crianças entre quatro e cinco anos possuem um repertório de letras muito restrito, geralmente só conhecem as letras do seu nome. Portanto como em qualquer outro momento de desenvolvimento do aprendizado da escrita, elaboram outras novas hipóteses para satisfazerem suas necessidades momentâneas, muitas vezes geradas pelo conflito com a análise da escrita adulta. Trocar a letra de posição é um recurso utilizado pela criança para representar diferentes formas de escrita. Mesmo sem ter ainda a consciência, essa criança está fazendo associações, combinações e arranjos, que somente irão aprender bem mais tarde.

 

Interpretação da escrita

 

A relação que inicialmente uma criança faz em relação ao texto escrito é que as letras dão nomes aos objetos. Ao olhar um texto escrito, a criança faz a associação das letras ao contexto. Se por acaso tiver um desenho de um elefante, mas no texto estiver escrito outra coisa, a criança vai dizer que o que está escrito é elefante.

 

“O significado de um texto escrito é , portanto, inteiramente dependente do contexto” (p. 67)

 

Essa interpretação pode aparecer em dois níveis: A hipótese do nome e a análise do contexto.

 

Nível I- O texto escrito depende inteiramente do contexto.

 

Nível II- Se mudarmos o contexto, o texto escrito fica inadequado ao contexto

Texto 4 -

 

 PRÁTICAS DE LINGUAGEM ORAL E ALFABETIZAÇÃO INICIAL NA ESCOLA: PERSPECTIVA SOCIOLINGUÍSTICA.

 

Erik Jacobson 

 

"O marco da alfabetização incicial, em sua essência, baseia-se na idéia de que professoras, professores e investigadores necessitam reconceitulizar o amplo leque de habilidades que os meninos e as meninas começam a dominar antes de entrarem na escola formal. Além de um entendimento da relação grafema-fonema e de uma consciência das convenções espaciais da escrita(...) os meninos e as meninas começam a desenvolver um entendimento das formas com que a escrita é utilizada em diferentes lugares do mundo." ( Erik Jacobson- Introdução)

 

 

 

 

 

SOMENTE UMA REFLEXÃO

  Por: Regina Abreu

 

 Na atual sociedade da informação,como vem sendo definida as sociedades globalizadas, não só se multiplicam as informações, mas os espaços de produção de conhecimento. Portanto se faz necessário e urgente que a escola se reformule e reconheça outros espaços em que crianças e jovens  interagem e se relacionam numa frenética troca de conhecimentos, sendo influenciados na sua formação como indivíduos históricos que somos..

 A educação não pode ser enquadrada numa lógica unidimensional, aprisionada numa institucionalização específica” ( Vera Maria Candau- Novamérica. n.84, dezembro,1999)"

 Mesmo com toda evolução da microeletrônica, a educação ainda tem se fechado atrás de muros e dentro de salas de aula, onde  a presença do professor ao centro “passando” o conhecimento, como no tempo em que eu ainda cursava o antigo ginásio, se faz presente no século XXI, da era global, os alunos, estes ainda são ouvintes. Essa lógica da educação voltada para a formação técnica, científica, baseada na competência para determinada tarefa é secular e já não atende mais as  exigências que carecem  o homem desta época. É preciso que a escola se reinvente, e talvez seja pela gerência de uma administração comprometida com novas idéias e não presa a idéias passadas, que  poderemos encontrar a “escola atual”, com mecanismos inovadores e espaços que permitam os alunos a se desenvolverem com autonomia para que sejam donos de seus pensamentos.

 Como mencionei no texto é somente uma reflexão, mas achei legal para podermos pensar sobre as variadas formas de linguagem que meninos e meninas entram em contato todos os dias, até mesmo aqueles que não tem uma situação que os favoreça, estão rodeados de informações. O texto nos adverte da necessidade dos professores e investigadores reavaliarem suas práticas pedagógica, levando em consideração que o contato com o conhecimento se dá, também além dos muros da escola. 

 

 Comentário

 

Entendo que o professor que se destinar a fazer um bom trabalho  na educaçao, especificamente no campo da alfabetização, deve estar atento as mudanças atuais, sem deixar de compreender a evolução das concepções de construção do aprendizado. Desde a década de 80, uma significativa mudança nas concepções de aprendizagem e ensino da língua escrita vem ocorrendo , dois fatores contribuiram para esse repensar dos educadores que atuam na área de língua portuguesa: As ciências linguísticas e a psicologia genética  traz uma nova compreensão do processo de aprendizagem da aquisição do sistema de escrita. Emília Ferreiro nos traz uma grande colaboração nesse aspecto baseada na teoria de Piaget. 

 

   O texto de Erik Jacobson, vem tratar da necessidade de professores e  profissionais da área de educação, se ater as mudanças que a era global vem trazendo a todas as esferas sociais, inclusive ao processo de desenvolvimento do aprendizado. Devem estar atentos as mudanças que estão ocorrendo no mundo, e devem levar em consideração que as crianças, antes mesmo de entrarem na escola ,estão em permanente contato com as variadas formas de linguagem e diversos tipos de  conhecimento em suas práticas sociais, não sendo a escola o único lugar de apropriação do conhecimento.

 

"O marco da alfabetização inicial, em sua essência, baseia-se na idéia de que professores e investigadores necessitam reconceitualizar o amplo leque de habilidades que os meninos e as meninas começam a dominar antes de entrarem na escola formal.(...) Os meninos e as meninas em processo de desenvolvimento estão se socializando como leitores e escritores nas práticas sociais de suas comunidades." (introdução)

 

O texto deixa bem claro que o processo inicial de alfabetização, não deve ser resumido a um processo rígido de regras e de sistematização da escrita, geralmente utilizada por professores, que ainda utilizam o método da cartilha. As múltiplas alfabetização que o texto trata, deve-se também ao fato de também existirem múltiplas formas de organização da leitura e da escrita. O que entendi, foi que o autor vem trabalhar o conceito de associar o aprendizado da escrita levando em consideração o contexto vivenciado pela criança. Adotar o conceito sociolinguístico como forma de indentificar o contexto em que o menino e a menina estão inseridos, defendendo a idéia de que a linguagem influencia e, é influenciada por forças sociais e políticas. 

 

"Observar a alfabetização a partir dessa perspectiva nos serve para sublinhar a complexa dinâmica do uso da linguagem que uma menina ou um menino pequeno deve negociar no momento em que entra na educação infantil"  

 

 

 

 

Este vídeo nos mostra bem como os profissionais da área de educação, mesmo conhecendo as teorias construtivista e a sócio-construtivista, dizem ser impossível associar tal teoria a crianças com condições economicamente desfavorável,  esquecendo-se  que o aluno não pode ser considerado tábula rasa , devendo ser levado em conta a experiência vivenciada pela criança em  seu ambiente familiar ou de qualquer outro contexto social, já que várias são as formas de se apresentar a  escrita , assim como , são várias as formas de apropriaçao da linguagem pela criança. Percebo que muitas são as confusões que se faz em torno do aprendizado levando em consideração o saber prévio  do aluno. 

'Para ambas as orientações, nesse tipo de ambiente familiar, o menino e a menina estão exposto à diversidade de material impresso, observam  as atividades de escrever e ler  por parte do adulto , estão motivados para implicar-se e realizar tais atividades e interagem com leitores que lhes dirigem  leituras em voz alta". (Contextos de Alfabetizaçao na Aula - Ana Teberosky e Núria Ribeiro. p. 55).

Segundo Emilia Ferreiro, as mudanças tecnológicas e sociais trouxeram maiores exigências ao trabalho de alfabetização

 

"As primeiras tentativas já não são vistas como rabiscos, mas uma espécie de escrita" - EMÍLIA FERREIRO. foto: Rogério Albuquerque

Leia abaixo a íntegra da entrevista concedida pela psicolingüista argentina Emilia Ferreiro a NOVA ESCOLA em outubro de 2006. Emilia esteve em São Paulo para participar do 1o Seminário Victor Civita de Educação. Aqui ela avalia as mudanças ocorridas nas práticas de leitura e escrita nas últimas décadas, como conseqüência sobretudo das inovações tecnológicas no campo da informática.

Como se alteraram as concepções de alfabetização nestes quase 30 anos desde que foi publicado seu livro Psicogênese da Língua Escrita?

Mudou a concepção social do alfabetizado. O que se requer de uma pessoa alfabetizada hoje em dia é bem diferente do que em meados do século 20. Não é mais suficiente saber assinar o nome e conseguir ler instruções simples, como era na época da Segunda Guerra Mundial. Do ponto de vista dos usos sociais da escrita no mundo contemporâneo, temos uma complexidade cada vez maior. As circunstâncias de uso de leitura se tornaram muito freqüentes e variadas. O que não mudou é o tipo de esforço cognitivo exigido por esse sistema de marcas que a sociedade apresenta em espaços muito variados e a instituição escolar é obrigada a transmitir. O problema da relação entre essas marcas escritas e a língua oral continua sendo um mistério total nos primeiros momentos da alfabetização.

E quanto ao ensino?
Uma mudança positiva é que já não se consideram as produções das crianças de 4 ou 5 anos como tentativas erradas ou rabiscos, a exemplo do que se dizia antigamente, mas sim como uma espécie de escrita. Parece-me que agora há uma atitude positiva, como sempre houve em relação aos primeiros desenhos. Outro avanço tem a ver com não se assustar quando crianças pequenas querem escrever. Antes elas eram desestimuladas porque se achava que não "estavam na idade". Também se reconhece a importância de ler em voz alta para elas desde muito cedo. Já se sabe que existe uma diferença grande entre ler e contar uma história. Há um pequeno avanço - não tanto quanto deveria haver - na prática de ler textos distintos e na valorização da biblioteca de sala de aula. A simples atividade de ordenar os livros com as crianças, usando critérios múltiplos, já as aproxima muito da leitura e enriquece a escrita.

As coisas estão melhorando, então?

Evidentemente estou dando uma visão muito positiva. Sei que há um grande número de professores tradicionais que não mudaram nada e continuam usando cartilhas dos anos 1920 e 1930. A instituição escolar é muito conservadora, muda com dificuldade. O importante é ter consciência de que ela não está definida para sempre. O que ocorre fora a afeta e ela não pode fechar os olhos. Este é um momento interessante pelo avanço tecnológico, que põe a escola um pouco em crise. Existem coisas que poderiam ter constituído avanço, porém foram muito mal compreendidas, como acreditar que os níveis de conceitualização da leitura pela criança mudam por si mesmas e que não é preciso ensinar, apenas deixar que ela construa seu conhecimento sozinha.

As novas tecnologias trouxeram mudanças importantes?
Sim, se aceitarmos que o conceito de alfabetização não é fixo, mas uma construção histórica que muda conforme se alteram as exigências sociais e as tecnologias de produção de texto. Os novos meios entram não somente na vida profissional, mas no cotidiano pessoal. Permitem ler e produzir textos e também fazê-los circular de maneira absolutamente inédita. No ano passado a Western Union, empresa que tinha o monopólio dos telegramas nos Estados Unidos, anunciou em sua página da internet que estava extinguindo esse serviço. Os telegramas tiveram muita importância no século 20, anunciando contratações, demissões, nascimentos e mortes - agora simplesmente não existem mais. Vemos então a desaparição de certos gêneros e a aparição de outros. O texto de email, por exemplo, não tem regras definidas. Não é como uma carta formal: podemos dizer se ela está bem escrita ou não, porque há um paradigma claro para isso. Quanto ao correio eletrônico, não. Algumas pessoas começam tradicionalmente, escrevendo "querido fulano", dois pontos, e continuam abaixo. Como se fosse uma carta formal. Muitos começam com "olá" ou mesmo sem nenhuma introdução - vai-se diretamente para o texto da mensagem. Tampouco se sabe como terminar. Alguns põem o nome; outros não, porque já está escrito no cabeçalho. É uma espécie de escrita selvagem. Não está normatizada e se prolifera. É difícil dizer se acabará constituindo um estilo.

Reflexão

É preciso mudar!

 

Com os textos lidos em sala de aula, e levando em consideração  a reportagem  acima sobre as variadas formas de  gêneros textuais ,  fica nítida a importância de trazer para sala de aula  diferenciadas formas de se trabalhar a alfabetização. Uma das ferramentas  seria a apresentação aos alunos de vários gêneros textuais, a fim de contextulizar a escrita sistematizada com os diversos usos sociais da escrita que a criança, antes mesmo de entrar na escola, já tem contato.É necessário e urgente que os professores tenham a vontade  e o comprometimento de se apropriar de  tais práticas. Passando por uma classe de jardim III, em que fiz um estágio de observação, pude observar que professores ainda utilizam métodos tradicionais de alfabetização, sem levar em consideração as hipóteses silábicas em que  criança se encontra. O  processo que pude observar foi de memorização e sistematização das etapas como por exemplo: aprender o A de avião, o E de elefante, e  para reforçar exercícios para casa. Gostaria de saber  até onde vai o comprometimento do professor que não abarca em seu método, ensino-aprendizagem, novas formas de construção do conhecimento e sem levar em consideração tantas mudanças no mundo atual,  encarando a escola como algo a parte de todo o processo social.

 

 

 

 

 

Aula do dia 29 de Maio de 2009

Texto: Contextos de Alfabetização na Aula

Auytores: TEBEROSKY, ana

                 RIBEIRO,Núria

 

      A abordagem do texto,  consiste no reconhecimento de que, ao iniciar a educação infantil, a criança tem prévio conhecimento sobre a linguagem escrita. A concepção de tábula rasa, e o conceito de educação bancária(Paulo Freire), visão da escola tradicional, vai ser desconstruída  por duas correntes progressistas o construtivismo e o socioconstrutivismo.

      O construtivismo se desenvolveu a partir da metade do século xx. Tal concepção leva em consideração que a construção do saber não parte de um ponto zero e sim um conhecimento prévio, focalizado no processo  cognitivo de construção do saber por parte do aluno.

      O socioconstrutivismo vai se coadunar  no conhecimento prévio, mas seu processo é por meio da interação social. Contrapondo a visão construtivista, quando sai do campo do concreto e vai para o campo das abstrações.

      Ambas as teorias defendem que a criança está sempre em contato com uma diversidade de material impresso, e são fortemente  afetadas pelas interações que estabelecem com eles. A importância  de reconhecer que uma criança traz consigo uma bagagem de conhecimentos, e combinadas a atividades escolares, na hora da alfabetização, constitui uma riqueza de contextos tornando o processo de aprendizagem possível, mediante tantas formas de informações, trazendo para o processo de alfabetização uma aprendizagem ,não mecânica, mas uma aprendizagem contextualizada.

      Na visão socioconstrutivista, a interação com o meio mais favorecido ou menos favorecido vai interferir no conhecimento prévio do menino e da menina. Na visão construtivista, mesmo que  o ambiente pouco lhes favoreça, em questão de hábitos de leitura e de escrita, não os tornará sem qualquer  conhecimento prévio . Na visão construtivista a criança conta com a sua capacidade cognitiva, a busca depende dela, formulando sua própria concepção de escrita.

      Olhar sob esse prisma, é importante para que não nos deixemos influenciar e associar aprendizado e condições econômicas. É lugar comum atribuir a deficiência de aprendizado à situação sócio-econômica da criança.

                     "(...) A atividade cognitiva individual , muitas vezes atenua a influência social"(p.57)

      O que vai corroborar tal afirmação é de que os aprendizes a leitores e escritores constroem seu conhecimento a partir dos diferentes materiais que vão lhes dar suporte para o aprendizado da escrita. Não somente em seu ambiente familiar mas uma imensidão de diversidades contextuais, como embalagens, jornais, televisão, internet entre outros.

                      "(...) A escrita não ocorre fora de algumas dessas realizações materiais concretas"  ( p.60, In - Ferreiro,1997)

Contextualização dos materiais concretos e prática pedagógica    

O recurso visual como objetivo de aprendizagem, pode ser realizado dentro da sala de aula ,como ferramenta pedagógica, chamando a atenção dos alunos para a descrição da figura  a fim de antecipar o texto escrito;

A leitura em voz alta proporciona o aumento do vocabulário, diferenciando-se do vocabulário familiar, também consiste numa prática contextualizada dos materiais concretos e atividade escolar;

Assim como ler em voz alta enriquece o vocabulário, escrever em voz alta faz a criança compreender a relação da escrita com o contexto que ela se destina. 

 

Algumas crianças ao manusear um livro em que se encontram figuras e letras, criam seus próprios métodos de leitura. Para elas a imagem representa a historia, e as letras se encontram ali por qualquer outro motivo, não relacionam ainda letras e figuras, sendo para elas, independentes. Outras podem estar num processo mais adiantado e saberem diferenciar imagem e  texto. Detectar em que processo de construção da escrita a criança se encontra é importante para o direcionamento do processo ensino aprendizagem  mas,  o que mais importa é saber que através da concepção construtivista, é possível se chegar a resultados convencionais, partindo da percepção cognitiva do aluno, desenvolvendo o seu aprendizado a partir do seu conhecimento inicial.

Pude observar  isso ao ver de que forma o meu neto ao manusear o livro com figuras, dizia estar escrito o que ele via no desenho, as letras poderiam ser qualquer  outra coisa, por exemplo o seu próprio nome, ou até mesmo números, menos que as letras estavam ali como representação gráfica da imagem, mas pude observar que nesse momento  o seu aprendizado se constrói a partir do seu próprio significado que ele dá as letras e as figuras. 

Aula de 14 de maio de 2009

Texto: ORALIDADE E ESCRITA - Perspectivas para o Ensino de Língua Materna

autores: FÁVERO,Leonor Lopes

               ANDRADE, Mª Lúcia C. V. O.

               AQUINO, Zilda G.O.

 

      O texto Oralidade e Escrita, me fez refletir sobre a questão dos diversos modos discursional que o mundo globalizado nos apresenta. É importante que estejamos atentos às diferentes formas de linguagens que usamos hoje para nos comunicar e de que forma podemos trabalhar essas diferentes formas de comunicação dentro da sala de aula.

      As autoras do texto a princípio, destacam o ensino da fala e sua importância. Porém advertem que a escola não deve ensinar a falar, até porque, a criança, com excessão  de algumas anomalias, aprende a falar e muitas não aprendem a ler e a escrever, ou melhor não obedecem a um tempo específico, cada uma tem o seu, mas trabalhar em sala de aula as duas modalidades: a escrita e a fala (p.11).

      No segundo momento do texto apresentam várias formas de organização  da fala e da escrita e a estrutura da conversação. Algumas pontuações são necessárias para que se entenda de que forma se estrutura a fala.

      Algumas teorias tentaram definir de que forma pensamento e fala se apresentam. A psicologia associacionista defende que pensamento e palavra estão reunidos por laços externos. Vigotsky vai discordar. Para ele  a relação  pensamento e palavra não se desvincula do processo de desenvolvimento estrutural das palavras e seu significado. Fundamentando sua teoria no materialismo histórico e dialético de Marx, o ponto alto de sua teoria consiste em defender que todos os fenômenos devem ser estudados como processos em movimento e mudança. Para Vigotsky, o desenvolvimento da consciência, na infância, resulta da interação com o meio. Outro teórico que coaduna com a teoria vigotskyana, é Bakhtin. Para ele a interação verbal contitui fator importantíssimo para a apropriação de diferentes significados que a palavra ganha de acordo com o contexto que se realiza. O diálogo é a forma de ligação entre a linguagem e a vida (L.S VIGOTSKY: LINGUAGEM E CONSTRUÇÃO SOCIAL DA CONSCIÊNCIA - p.126)

      Analisando a teoria de Piaget sobre  linguagem encontramos os termos fala egocêntrica  e fala socializada: A fala egocêntrica é descrita como do próprio universo - a criança fala para si mesma sem se interessar pelo seu  interlocutor. Na fala socializada, a criança já estabelece um contato com o outro. Para Piaget, a fala obedece a estágios que partem do interior para o exterior - do indivídual  para o social. 

      Vigotsky tem outra visão de fala egocêntrica, defende que a função primordial da fala, tanto na criança quanto nos adultos, é o contato social, portanto a fala mais primitiva da criança é , portanto, essencialmente social, e que a fala egocêntrica seria uma exteriorização da sua orientação mental, e sua culminância se dá no futuro e o seu desenvolvimento é transformar-se em fala interior.

            "(...) A decrescente vocalização da fala egocêntrica, observada em crianças em idade escolar, tem um significado positivo e indica a aquisição de uma nova capacidade da criança, a de pensar as palavras, em vez de pronunciá-las."(L.S VIGOTSKY: LINGUAGEM E CONSTRUÇÃO SOCIAL DA CONSCIÊNCIA  -p.133).

      Ao analisarmos tais teorias podemos refletir sobre a estrutura dialógica e de que forma constitui-se a atividade conversacional. É criação coletiva, não só interacionalmente, mas também de forma organizada:

-No mínimo dois falantes;

-Há uma alternância entre os falantes;

-Há uma coordenação dos processos mentais;

-O tempo pode ser estabelecido de acordo com o interesse de seus interlocutores;

-Interação entre o assunto a ser conversado.

      Partindo do pressuposto de que a fala consiste um processo de interação social, devemos levar em conta o papel dos participantes, o modo do discurso e o meio pelo qual  estamos nos comunicando.Para explicar, vou recorrer a teoria sociointeracionista de Vigotsky, de que mesmo a primeira fala já é socializada, entendo que à medida que ampliamos nossas relações sociais, ampliamos nossos modos discursionais e interagimos por diferentes meios e atuamos em diversas situações sociais, que exigirão de nós um discurso mais ou menos formal e até mesmo o tipo de linguagem que usaremos dependendo do meio pelo qual se dá a atividade conversacional ( face à face, via telefone, internet), cada uma tem uma linguagem própria, ou seja a produção do texto falado vai depender do contexto em que você se encontra.

DIFERENÇAS ENTRE O TEXTO ESCRITO E O TEXTO FALADO.

      Os recursos visuais usados  no processo de produção do texto escrito, que vão marcar a itencionalidade do autor e orientar o interlocutor no momento da leitura, são pistas l inguísticas, a fim de dar o sentido pretendido pelo autor da produção textual.

TIPOS TEXTUAIS

      Os vários tipos textuais vão exigir uma diversidade em sua construção. tal observação vai nos levar ao entendimento do corpo do texto e a mensagem a ser passada. Por exemplo:

O texto narrativo vai obedecer algumas marcas, como o aspecto temporal, sequência de ações, etc. que vão narrar um incidente, um acontecimento.;

O texto descritivo segue por apresentar características e qualificações de um determinado objeto, não se preocupa com o aspecto tempoal, sua estrutura é puramente espacial e consiste na percepção do observador que busca, na apresentação do objeto, traços particularizantes.;

O texto dissertativo apresenta a idéia central no primeiro parágrafo, designada idéia-núcleo ou tópico frasal, que ao longo do texto vai sendo desenvolvido por elementos argumentativos acerca da idéia principal, sendo ratificada pela conclusão, apresentando por exemplo uma consequência.

COESÃO E COERÊNCIA

      São aspectos importantíssimos para a estrutura textual. Um texto com elementos coesivos vai contribuir paa o estabelecimento da coerência, ou seja, vão nos levar a inferir o texto. Tais elementos coesivos podem vir subtendidos, sem deixar de produzir o campo semântico. O que não se observa muito no texto falado que tem seus elementos coesivos específicos, como por exemplo:

Coesão referencial, que se caracteriza pela repetição do ítem lexical. Isso ocorre como recursso  de retomada da idéia central, também servindo para a retomada de turno;

Coesão recorrencial, permite a especificidade do termo mencionado, anteriormente, por um dos interlocutores, a fim de particularizar um termo em função da idéia que se queira passar. Tal recursso garante aos interlocutores a interação conversacional;

Coesão sequêncial, permite a continuidade e sequência entre os turnos.

A coerência textual, é resultante  da atividade hermeneutica que nós temos, ou seja, não depende do texto, mas da capacidade de quem interage com o texto, das relações estabelecidas e percebidas entre os falantes. A coerência pode ser considerada como o entendimento entre os falantes.

Turno é a fala, podendo ser interrompida ou retomada, é o que caracteriza o processo conversacional. De acordo com a condução dos turnos, suas interrupções e desvios, podemos caracterizar a atividade conversacional , como o grau de interação e aferição do texto falado, assim como o meio. Quando estamos face à face - as interrupções obedecem uma certa alternância, diferentemente da comunicação via telefone ou internet, que devemos obedecer um critério temporal, entre os turnos, como pergunta e resposta(MSN) ou mensagem fática(abertura de um canal comunicativo, como por exemplo : Alô (telefone).

Tópico discursivo, pares adjacentes e marcadores conversacionais.

      Está voltado para o campo das relações sociais, assim como a interação, entre dois interlocutores ou mais, está voltado para o interesse comum dos participantes num dado assunto formando os pares adjacentes, através dos marcadores conversacionais.

      Ainda trabalhando o texto da Oralidade e Escrita, respondemos, em dupla, a um questionário  e enviamos por e-mail ao professor, que distribuiu os exercícios resolvidos, entre as duplas, cada uma recebendo o exercício de outra dupla, para que pudéssemos avaliar o exercício de outros colegas (o que ele chamou de analisadores).

      Para mim, foi importante esse tipo de atividade, para entendermos que avaliar não consiste em apenas dar nota, mas considerar toda forma de construção subjetiva, orientando aqueles que não se prenderam a essa construção, dando-lhes oportunidade de reconstrução de sua visão .  

 

 

aula do dia 30 de abril de 2009

O texto trabalhado em sala de aula foi PROCESSOS INICIAIS DE LEITURA E ESCRITA, autora: Rosineide Magalhães de Souza.

O professor fez suas argumentações sobre o texto em que  abordou temas como:

-Tipos de linguagens (verbal e não verbal), ou seja,  a criança faz uma leitura por meio da identificação das figuras, como por exemplo, embalagens de supermercado, logotipos e logomarcas.

Comentário: A criança  que ao chegar à sala de aula traz consigo um mundo de idéias, que bem trabalhadas pode-se perceber conhecimentos prévios de leituras, sem ainda estarem alfabetizadas,  como, por exemplo,  ler as embalagens e seus rótulos,  placas, autdoor, podem ler histórias com apenas figuras. Pode-se considerar que essa criança ao formular suas próprias hipóteses, mesmo que não saibam decodificar as palavras, reconhecem os sons de algumas letras. Com isso percebemos que a leitura não começa apenas na escola, mas em diversas situações do seu cotidiano.

Nesse momento o professor falou sobre o princípio apofrônico, em que a criança troca à letra em função do som. Exemplo:

casa ( Kasa).

A autora Magda B. Soares em seu texto Aprender a escrever, ensinar a escrever, teoriza sobre a escrita espontânea, o que nos faz refletir sobre o processo de aquisição do sistema da escrita.

 "(...) novas concepções de língua e linguagem,  (...)  de oralidade e escrita, de texto e discurso reconfiguram o “objeto" da aprendizagem e do ensino da escrita e, consequentemente, o "processo" dessa aprendizagem e desse ensino(...) é nesse tempo que a psicologia genética piagetiana traz uma nova compreensão do processo de aprendizagem da língua escrita, através, particularmente, das pesquisas e publicações de Emília Ferreiro e seus colaboradores, obrigando a uma revisão radical das concepções do sujeito aprendiz da escrita, e de suas relações com esse objeto de aprendizagem (...) a criança deve apropriar-se do escrever como busca de expressão pessoal, (...) a criança aprende a escrever agindo e interagindo com a língua escrita, experimentando escrever, ousando escrever(...) levantando e testando hipóteses sobre as correspondências que até então eram impostas a ela, (...)como controle do que ela podia escrever, porque só podia escrever depois de já ter aprendido(...) Quanto às dificuldade enfrentadas pela criança nesse processo, (...) considerados erros que era preciso corrigir, e para isso os recursos eram, os exercícios ou treinos de imitação, repetição, associação, cópia; hoje, no quadro de uma nova concepção do processo de aquisição do sistema da escrita, os "erros" são considerados "construtivos".  


(...)Opondo-se a essas atividades “controladas" de escrita, as concepções psicogenéticas e psicolinguística sobre a aquisição da escrita, geraram as atividades de "escrita espontânea,” o pressuposto é que não é preciso esperar que a criança tenha aprendido a escrever para que escreva, mas que é escrevendo que ela aprenderá a escrever: escrevendo espontaneamente, experimentando soluções para as grafias de que necessita.  

2º momento da aula

Ainda no momento de exposição da aula mencionou que a habilidade linguística está voltada para o campo das linguagens.

Para tanto é importante que se use diversos gêneros textuais no processo de alfabetização, explicando para que serve cada gênero: Com isso poderemos abordar vários tipos de linguagens e vários tipos de mensagens

Pesquisa sobre tipologia textual e gênero textual

- tipologia textual é diferente de gênero textual, este se evoluiu num processo histórico que avançou de acordo com as necessidades sócio-culturais, e inovações tecnológicas. Por exemplo, com a invenção da imprensa tivemos uma expansão nos gêneros, que antes se resumia aos gêneros típicos da escrita, atualmente com o avanço tecnológico temos o E-mail, que substituiu o gênero carta, temos o blog, que podemos comparar com um diário que muitas pessoas tinham o hábito de anotarem os acontecimentos de sua vida. (Inclusive muitos pesquisadores conseguiram escreverem sobre modos e costumes de outras épocas, mediante a existência de tais registros).  A videoconferência, os bate-papos virtuais, etc.. Esses são os diferentes gêneros textuais que podem ser trabalhados em sala de aula, mais ainda, pode-se trabalhar contos, folclore,   que façam  com que a criança se aproprie de outras culturas.

-Tipologia textual: são modos diversos de estruturação textual, como por exemplo: narrativo,dissertativo,argumentativo,descritivo,explicativo ou expositivo, injuntivo ou instrucional.

Independentemente do gênero a que pertencem,  é necessário obediência às regras linguísticas, como por exemplo: classe gramatical, estrutura sintática, tempos e modos verbais, emprego de vocativo, etc. em que teremos os diferentes tipos textuais.Podemos observar que um texto narrativo obedece a uma sequência marcada pela temporalidade, essencial para o  seu desenrolar, situando o leitor a perceber quando e onde se passa a história dando-lhe noção também de espaço.

Já um texto descritivo, não é passada ao leitor a noção de temporalidade, mas uma noção estática, de permanência temporal, o foco de um texto descritivo se encontra no ser, diferentemente do texto narrativo que foca o fato e a ação.  

3º momento da aula

  O professor no ultimo momento da aula pediu que elaborássemos uma atividade que usasse diferentes gêneros textual e trabalhasse: habilidades linguísticas, compreensão de leitura e interpretação, comparação de textos novos com textos antigos. 

ATIVIDADE: Material utilizado: Um jornal impresso, um computador conectado a rede e alguns temas do folclore brasileiro. Solicitar aos alunos que  tragam o material impresso, as embalagens de produtos, e a pesquisa sobre folclore.

 objetivo: comparar as diferenças de estrutura de um jornal impresso com a de um jornal on-line, utilizar as ferramentas disponíveis na rede para se mandar um e-mail. Navegar na rede e pesquisar produtos e preços, mostrando a diferença de ir ao supermercado, e a possibilidade de se comprar em mercados virtuais. Com isso demonstramos textos novos e antigos. Poderemos trabalhar dentro de um contexto histórico, mostrando a evolução da escrita com  os avanços tecnológicos, mostrar a diferença de uma carta escrita para um e-mail. Com os textos folclóricos podemos mostrar diferentes aspectos regionais e culturais de nosso país.

 

 

Escrito por abreucadena às 01h19
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Duque de Caxias, 01 de Maio de 2009.

Caríssimo professor

Foi um desafio grande a  criação do meu blog, mas apesar das dificuldades creio que consegui.Gosto de desafios e procuro não me abater quando não consigo superá-los, sigo em frente pela busca dos meus sonhos. Foi assim quando aos 37 anos, depois de filhos já criados, resolvi cursar uma faculdade pública, não faltou quem me desanimasse e me incentivasse a cursar uma particular, dizendo ser muito difícil conseguir passar no vestibular, já que faziam 17 anos que tinha terminado o ensino médio. No início  isso me abateu, mas um pouco sem jeito fui me inscrever num cursinho de pré vestibular, onde não havia pessoas da minha idade, mas foi justamente a diferença de idade que foi o mais legal, observei ao longo do curso que  a minha idade e experiência contribuiu para  que os jovens se aproximassem de mim na busca de um apoio diante das dificuldades que não seriam só  minhas, mas de todos, e mostrando a eles que não deixei me abater pela desvantagem que me encontrava naquele momento, é que conseguimos montar grupos de estudo e assim conseguirmos alcançar o tão sonhado vestibular. Hoje curso o quinto período de pedagogia, que a princípio foi apenas um meio de obter o curso superior, mas que  hoje me conquistou. Tenho receios de não me identificar com a sala de aula, já que nunca tive contato com esse universo, mas como disse , não fujo aos meus desafios, tenho em mente trabalhar com gestão e administração, mas não estarei isenta de entrar em uma sala de aula.Bom  essa foi minha trajetória até  aqui, mas o senhor terá a oportunidade de me conhecer como aluna, já que não é fácil falar de nós mesmos.

Até mais, um grande abraço, de sua aluna Regina Abreu.


 

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